24.11.08

Sim, eu sei que O ESTALO está jogado às moscas e às traças cibernéticas. Na verdade, esse ano foi bastante estranho e confesso que às vezes não via sentido em continuar escrevendo os estalos. Foi um momento de balanço.

Ainda não sei se retomo O ESTALO ou inicio um novo projeto, que já está amadurecendo no pé.

O certo é que em breve teremos novidades.

28.4.08

Revirando a Cultura

Neste fim-de-semana rolou a Virada Cultural, aqui em São Paulo. Trata-se de um circuito, que dura 24 horas (das 18h de sábado até às 18h de domingo) com vários eventos espalhados pelo centro da cidade, tais como mostras de filmes, espetáculos de dança, teatro de rua e shows, muitos shows. Foram armados cerca de 5 palcos, com programações para atender a todos os gostos. E eu, como não sou bobo nem nada, fui conferir o palco Rock, que apresentou (na faixa) Paul Dianno, além de um jam com músicos do Sepultura.

Nunca tinha visto o Dianno ao vivo. Até porque sempre achei caro pagar R$ 80 pra ver o cara. Não que eu não goste, acho até que ele mandou bem nos primeiros discos do Maiden. Mas oitenta contos é meio caro.



Anunciaram que ele tocaria o álbum Killers na íntegra. Não rolou. Ele abriu o show com Idles of March e depois mandou ver em clássicos como Murders in the Rue Morgue, Wrathchild e Killers. Além disso, tocou algumas do primeirão, como Phantom of the Opera, Transylvania, Remember Tomorrow e Prowler. Tocou algumas da carreira solo dele. O ponto pitoresco do show foi uma versão de Hey Ho, Let's Go, crááááássico do Ramones, no bis, que encerrou o show com milhares de pessoas cantando enlouquecidamente Running Free.

O cara é simpático e tem uma boa presença, apesar de estar mancando. Mas a banda de apoio...mais parecia que os caras pagaram pra tocar ali com ele. Já ouvi dizer que ele tem uma banda em cada lugar que toca, talvez pra baratear o custo. Mas podia ter escolhido melhor. Os rapazes mandaram várias na trave e parece que sentiram o peso de tocar Iron pra uma galera de milhares de pessoas. Parecia uma badinha cover, daquelas que participam de festivais de metal no Garagem Hermética ou no Manara. Sem contar que o pessoal da P.A. estava perdido, fazendo altas experimentações na mesa, ora aumentando o volume, ora trocando os canais. Amadorismo.

Logo a seguir, entraram Andreas Kisser e mais uma galera de cabeludos para detonar Metal Militia, do primeirão do Metallica. A essas alturas, o vinho já fazia efeito e eu não consegui mais acompanhar o set dos caras. Mas mandaram bem, o som já estava melhor e a galera que foi até a Praça da Repúbica curtiu muito. Eu aproveitei pra botar o headbangin' em dia e estou curtindo um puta torcicolo até agora.

Mas o melhor desse passeio heavy-cultural foi ver que, mesmo que digam que São Paulo é uma cidade de alta periculosidade, a prefeitura ainda tem culhão para organizar um evento desta magnitude e garantir a segurança de todos. Tinha muitas viaturas circulando, muitos policiais nas ruas. Me abri pra organização do evento que, além de trazer diversas atrações para os mais diversos tipos de público, valoriza a cidade e mostra que sim, é possível fazer um evento de rua com segurança e qualidade.

Alguém aí se habilita a fazer algo parecido em Porto Alegre?

17.3.08

Live and let die

Desde que ouvi essa música pela primeira vez penso em possíveis significados reais para esta frase: viva e deixe morrer. A primeira conclusão a que eu cheguei é que existe mais do que apenas uma forma de interpretá-la (viva a subjetividade do rock and roll). Porém hoje, enquanto passava os olhos pelas notícias do dia, me deparei com a notícia de uma mulher francesa que luta para poder morrer dignamente.

Chantal Sébire, uma dona de casa de 52 anos, é vítima de um raríssimo câncer de face, o estesioneuroblastomia. O resultado é terrível, como vocês podem conferir nas fotos. Segundo a matéria, ela enviou uma carta ao próprio presidente francês implorando para que a justiça autorizasse a eutanásia. É claro que, em uma sociedade conservadora e hipócrita, isso é impossível, logo o pedido foi pesarosamente negado.



Viva e deixe morrer. De novo essa frase. E nunca ela fez tanto sentido para mim. Me questiono, do alto da minha insignificância, sobre o real valor de viver. Vale a pena continuar vivendo, mesmo sabendo que o seu destino é apenas dor? Em uma cama de hospital, sem poder conversar com os amigos, assistir a um filme ou ler um livro? Sem poder comer um sorvete e sentir o gosto do chocolate? Vale a pena viver para não ver seus filhos e netos crescerem? Vale a pena viver apenas para não morrer?

Não será hipocrisia daqueles que estão "muito bem, obrigado" negar um pedido sofrido de alguém que simplesmente não tem mais perspectiva de levar uma vida normal? Os mais conservadores dizem que apenas Deus tem o direito de tirar uma vida. Mas caberá também a Deus confortar àqueles que nem podem mais dizer que vivem?

Todos os homens morrem, porém nem todos vivem de verdade.
Que a França deixa que Chantal possa decidir sobre a sua vida.

Viva e deixe morrer nunca fez tanto sentido.

10.3.08

Academia do Metal

Reserve um local fechado. Abra as portas aos discípulos. Idade não é pré-requisito, o que importa é gostar da matéria. Reúna todos em frente aos púlpitos. Deixe-os cantar enquanto esperam pelos mestres. Rasgue-se. Pule. Grite. Cante. Chore. Enfim, receba os mestres da melhor forma possível e prepare-se para ouvir as mais importantes lições sobre heavy metal, rock, carisma, competência, longevidade e tudo mais que ajuda a fazer do Iron Maiden uma das maiores bandas de todos os tempos (sim, sem nenhum rótulo, isso não se faz necessário).

Depois de 15 anos, a Donzela de Ferro voltou aos pampas para um show memorável. Memórias, aliás, não faltaram neste dia em que o sol resolveu brilhar forte e quente como há dias não fazia. Cheguei nos arredores do gigantinho por volta das 16h30 portanto apenas uma garrafa de H20, uma Caninha Bonanza e um pacote de Passatempo, como nos velhos tempos. Na fila, encontrei amigos de infância metaleira, muitos deles (a maioria) ex-cabeludos, assim como eu. A gente cresce. A fila cresce. E mais e mais pessoas chegavam ao gigantinho, enquanto a Ipanema disparava uma coletânea pra lá de pertinente de clássicos do Maiden. Tudo festa. Pelo menos até entrar no gigantinho(?)



15 mil pessoas pra lá de suadas se apertavam, se empurravam e se xingavam em um espaço que não permitia nem que se pudesse reclamar, não havia ar para encher os pulmões. Terror total. Levamos algum tempo para encontrar, de pé na arquibancada, um lugar que permitisse assistir ao show de forma satisfatória, pelo menos em termos de visão. Terror total. O empurra-empurra só diminuiu quando o show começou.

A emoção foi algo indescritível. Chorei feito criança aos acordes de Aces High e 2 Minutes to Midnight. O petardo continuou com The Trooper, Wasted Years e Revelations. Minha voz acabou em The Number of the Beast. Meu ar também. O resto do show me dividi entre tentar respirar e me manter de pé, já que o empurra-empurra não dava trégua. Lá pelas tantas, alguém arremessou um telefone ao palco e Bruce fingiu conversar com sua mãe. Hilário. O momento máximo foi a entrada do Eddie (do disco Somewhere in Time), ao som de, é claro, Iron Maiden.
O clássico de 13 minutos, Rime of the Ancient Mariner, foi apoteótico. O bis contou com Moonchild, The Clairvoyant e, por fim, Hallowed be thy Name.



Ufa! Depois de muita dificuldade, consegui, finalmente, respirar. E beber água. Foram 2 litros em menos de 10 minutos, pois durante o show NINGUÉM passou pra vender água. Invariavelmente, uma Nova Schin quente.

Se me pedisse para resumir o show em uma palavra, eu diria: DESUMANO. Mas eu sobrevivi, através de um mar de loucuras, como um estranho em uma terra estranha, realizando meus sonhos infinitos de ver o Maiden em Porto Alegre.

Bruce, Steve, Janick, Adrian, Dave e Nicko: valeu!
Opinião Produtora: vai tomar no cu.

3.3.08

Fiasco Itinerante

Durante toda a semana anterior foi noticiado que o MAIOR EVENTO DE MODA DA AMÉRICA LATINA seria realizado em Porto Alegre, com toda pompa e circunstância, além de shows com Papas, Cachorro Grande, Pitty e D2. E é claro, desfiles. Aliás, este (acreditei) era o mote do evento. Pois bem, sem nada melhor pra fazer no sábado, rolou uma cortesia e lá fui eu até o (BLERGH!) Gigantinho para conferir o tal do Dream Fashion Tour.

Quando chegamos lá e olhamos para dentro do ginásio, a imagem era de que o evento seria uma completa derrota. Arquibancadas repletas de manos do rap, emos, patricinhas, crianças e torcedores do Grêmio montavam um panorama bizarro, mostrando que todo mundo parece gostar de moda. O início da função atrasou pouco mais de meia hora. Eram quase oito horas quando Sérgio Moacir e companhia subiram ao palco. Showzinho bacana, os hits de sempre.



Logo depois veio a Cachorro Grande e aí deu pra perceber que a galera que gosta de moda não curte muito o bom e velho rock and roll. O público até mostrou empolgação nas mais conhecidas, mas de resto, parecia não entender o que se passava no palco. A casa caiu mesmo quando eles chamaram a Pitty, rainha dos emos. Caralho, foi uma gritaria, uma histeria, um bando de marmanjo chorando feito biba. Menininhas gritando. Eu até cheguei a simpatizar com ela uma certa época. Mas depois a máscara caiu e ela acabou indo pro mesmo saco onde estão todas as "grandes bandas" do país.



Bizarro! Bizarro mesmo foi o debate que rolou depois. Thiago Lacerda no palco, histeria coletiva das desdentadas que atulhavam as entradas do gigantinho, e um som ruim de doer. Simplesmente não deu pra entender lhufas do que o cara falou. E olha que rolou desfile pra não-sei-o-quê, que foi ganho pela sósia da Rihana. Cinco convidados (de quem?) sentadinhos em poltronas brancas murmuravam coisas que ninguém ouvia. Blablabla, deram tchau e chamaram um rapper gaúcho, afilhado do D2. O som continuava uma bosta e ninguém entendeu quando ele fez uma paródia de uma música do Kleiton e Kledir.

Mas tá, e o desfile? Já passava das onze da noite e moda que é bom(?), nada. Ah, o melhor fica pro final. Melhor? Pra quem? Essa foi a hora do Marcelo D2 subir no palco e pedir barulho. Porra, D2, barulho pra quem? Um ginásio vazio daqueles...da próxima vez usa um óculos. Aí que rolou o desfile, três entradas, três saídas e nada mais. Engraçado mesmo foi ver D2 achacando as modelos, na cara dura. Bom, no lugar dele eu faria a mesma coisa. Deprimente? Foi ver a Pitty fazendo um semi-playback com o cara. Bah, pra quê? Ok, a passagem Bahia-Porto Alegre deve ser cara e ela só tinha cantando 2 músicos com os cachorros.



Fui embora antes do final. Antes que rolasse aquela muvuca de final de evento, corre-corre de manos do rap contra os emos. Eu vi vários rapazolas chorando no cantinho quando a Pitty saiu do palco. Cada uma que gente vê.

E de tudo isso, o que ficou? O MAIOR FIASCO ITINERANTE DA AMÉRICA LATRINA.
Só podia ser no ginásio do colorado mesmo...