28.4.08

Revirando a Cultura

Neste fim-de-semana rolou a Virada Cultural, aqui em São Paulo. Trata-se de um circuito, que dura 24 horas (das 18h de sábado até às 18h de domingo) com vários eventos espalhados pelo centro da cidade, tais como mostras de filmes, espetáculos de dança, teatro de rua e shows, muitos shows. Foram armados cerca de 5 palcos, com programações para atender a todos os gostos. E eu, como não sou bobo nem nada, fui conferir o palco Rock, que apresentou (na faixa) Paul Dianno, além de um jam com músicos do Sepultura.

Nunca tinha visto o Dianno ao vivo. Até porque sempre achei caro pagar R$ 80 pra ver o cara. Não que eu não goste, acho até que ele mandou bem nos primeiros discos do Maiden. Mas oitenta contos é meio caro.



Anunciaram que ele tocaria o álbum Killers na íntegra. Não rolou. Ele abriu o show com Idles of March e depois mandou ver em clássicos como Murders in the Rue Morgue, Wrathchild e Killers. Além disso, tocou algumas do primeirão, como Phantom of the Opera, Transylvania, Remember Tomorrow e Prowler. Tocou algumas da carreira solo dele. O ponto pitoresco do show foi uma versão de Hey Ho, Let's Go, crááááássico do Ramones, no bis, que encerrou o show com milhares de pessoas cantando enlouquecidamente Running Free.

O cara é simpático e tem uma boa presença, apesar de estar mancando. Mas a banda de apoio...mais parecia que os caras pagaram pra tocar ali com ele. Já ouvi dizer que ele tem uma banda em cada lugar que toca, talvez pra baratear o custo. Mas podia ter escolhido melhor. Os rapazes mandaram várias na trave e parece que sentiram o peso de tocar Iron pra uma galera de milhares de pessoas. Parecia uma badinha cover, daquelas que participam de festivais de metal no Garagem Hermética ou no Manara. Sem contar que o pessoal da P.A. estava perdido, fazendo altas experimentações na mesa, ora aumentando o volume, ora trocando os canais. Amadorismo.

Logo a seguir, entraram Andreas Kisser e mais uma galera de cabeludos para detonar Metal Militia, do primeirão do Metallica. A essas alturas, o vinho já fazia efeito e eu não consegui mais acompanhar o set dos caras. Mas mandaram bem, o som já estava melhor e a galera que foi até a Praça da Repúbica curtiu muito. Eu aproveitei pra botar o headbangin' em dia e estou curtindo um puta torcicolo até agora.

Mas o melhor desse passeio heavy-cultural foi ver que, mesmo que digam que São Paulo é uma cidade de alta periculosidade, a prefeitura ainda tem culhão para organizar um evento desta magnitude e garantir a segurança de todos. Tinha muitas viaturas circulando, muitos policiais nas ruas. Me abri pra organização do evento que, além de trazer diversas atrações para os mais diversos tipos de público, valoriza a cidade e mostra que sim, é possível fazer um evento de rua com segurança e qualidade.

Alguém aí se habilita a fazer algo parecido em Porto Alegre?

17.3.08

Live and let die

Desde que ouvi essa música pela primeira vez penso em possíveis significados reais para esta frase: viva e deixe morrer. A primeira conclusão a que eu cheguei é que existe mais do que apenas uma forma de interpretá-la (viva a subjetividade do rock and roll). Porém hoje, enquanto passava os olhos pelas notícias do dia, me deparei com a notícia de uma mulher francesa que luta para poder morrer dignamente.

Chantal Sébire, uma dona de casa de 52 anos, é vítima de um raríssimo câncer de face, o estesioneuroblastomia. O resultado é terrível, como vocês podem conferir nas fotos. Segundo a matéria, ela enviou uma carta ao próprio presidente francês implorando para que a justiça autorizasse a eutanásia. É claro que, em uma sociedade conservadora e hipócrita, isso é impossível, logo o pedido foi pesarosamente negado.



Viva e deixe morrer. De novo essa frase. E nunca ela fez tanto sentido para mim. Me questiono, do alto da minha insignificância, sobre o real valor de viver. Vale a pena continuar vivendo, mesmo sabendo que o seu destino é apenas dor? Em uma cama de hospital, sem poder conversar com os amigos, assistir a um filme ou ler um livro? Sem poder comer um sorvete e sentir o gosto do chocolate? Vale a pena viver para não ver seus filhos e netos crescerem? Vale a pena viver apenas para não morrer?

Não será hipocrisia daqueles que estão "muito bem, obrigado" negar um pedido sofrido de alguém que simplesmente não tem mais perspectiva de levar uma vida normal? Os mais conservadores dizem que apenas Deus tem o direito de tirar uma vida. Mas caberá também a Deus confortar àqueles que nem podem mais dizer que vivem?

Todos os homens morrem, porém nem todos vivem de verdade.
Que a França deixa que Chantal possa decidir sobre a sua vida.

Viva e deixe morrer nunca fez tanto sentido.

10.3.08

Academia do Metal

Reserve um local fechado. Abra as portas aos discípulos. Idade não é pré-requisito, o que importa é gostar da matéria. Reúna todos em frente aos púlpitos. Deixe-os cantar enquanto esperam pelos mestres. Rasgue-se. Pule. Grite. Cante. Chore. Enfim, receba os mestres da melhor forma possível e prepare-se para ouvir as mais importantes lições sobre heavy metal, rock, carisma, competência, longevidade e tudo mais que ajuda a fazer do Iron Maiden uma das maiores bandas de todos os tempos (sim, sem nenhum rótulo, isso não se faz necessário).

Depois de 15 anos, a Donzela de Ferro voltou aos pampas para um show memorável. Memórias, aliás, não faltaram neste dia em que o sol resolveu brilhar forte e quente como há dias não fazia. Cheguei nos arredores do gigantinho por volta das 16h30 portanto apenas uma garrafa de H20, uma Caninha Bonanza e um pacote de Passatempo, como nos velhos tempos. Na fila, encontrei amigos de infância metaleira, muitos deles (a maioria) ex-cabeludos, assim como eu. A gente cresce. A fila cresce. E mais e mais pessoas chegavam ao gigantinho, enquanto a Ipanema disparava uma coletânea pra lá de pertinente de clássicos do Maiden. Tudo festa. Pelo menos até entrar no gigantinho(?)



15 mil pessoas pra lá de suadas se apertavam, se empurravam e se xingavam em um espaço que não permitia nem que se pudesse reclamar, não havia ar para encher os pulmões. Terror total. Levamos algum tempo para encontrar, de pé na arquibancada, um lugar que permitisse assistir ao show de forma satisfatória, pelo menos em termos de visão. Terror total. O empurra-empurra só diminuiu quando o show começou.

A emoção foi algo indescritível. Chorei feito criança aos acordes de Aces High e 2 Minutes to Midnight. O petardo continuou com The Trooper, Wasted Years e Revelations. Minha voz acabou em The Number of the Beast. Meu ar também. O resto do show me dividi entre tentar respirar e me manter de pé, já que o empurra-empurra não dava trégua. Lá pelas tantas, alguém arremessou um telefone ao palco e Bruce fingiu conversar com sua mãe. Hilário. O momento máximo foi a entrada do Eddie (do disco Somewhere in Time), ao som de, é claro, Iron Maiden.
O clássico de 13 minutos, Rime of the Ancient Mariner, foi apoteótico. O bis contou com Moonchild, The Clairvoyant e, por fim, Hallowed be thy Name.



Ufa! Depois de muita dificuldade, consegui, finalmente, respirar. E beber água. Foram 2 litros em menos de 10 minutos, pois durante o show NINGUÉM passou pra vender água. Invariavelmente, uma Nova Schin quente.

Se me pedisse para resumir o show em uma palavra, eu diria: DESUMANO. Mas eu sobrevivi, através de um mar de loucuras, como um estranho em uma terra estranha, realizando meus sonhos infinitos de ver o Maiden em Porto Alegre.

Bruce, Steve, Janick, Adrian, Dave e Nicko: valeu!
Opinião Produtora: vai tomar no cu.

29.2.08

Quase lá

O dia está chegando. Semana que vem tem IRON MAIDEN no (chiqueirinho) Gigantinho.
Ingresso na mão, camiseta da banda limpa e passada, munhequeiras em cima da mesa, anéis de caveira nos dedos. Tudo pronto para uma (muito possível) noite memorável de puro metal melódico e headbanging.

Vou confessar que me arrependi de não ter comprado mais ingressos. Hoje, poderia vender cada um por R$ 300 que neguinho ia sair feliz da vida. Mas enfim, faltou o tino cambista ao guerreiro.

De mais a mais, resolvi tentear uma incursão ao camarim da banda através de uma promoção da MTV, que premiará as 3 melhores fotomontagens com a sua fuça metida em alguma imagem da banda. Não preciso nem dizer que eu fiz uma.



Valeu, Celso.

12.2.08

Obrigado por não usar

“A vida sempre existiu. Se não nela, sempre através dela. Desejos atendidos, vontades saciadas, tudo em um indo e vindo leva e trás de quem pode mais e de quem pode menos. A vida vai sempre existir. Seja para levar ou para trazer. Para limpar ou satisfazer. Ela vem e ela vai e sempre estará ali. Nós, feitos de um tanto de carne sobre um amontoado de ossos, logo vamos. Deitamos. Levantamos. E tornamos a deitar. E ela vai sempre existir. E no dia em que o mundo for dominado por baratas e todo o resto deixar de existir, estas últimas sobreviventes já terão, pelo menos, algo para se divertir. Aquela que existirá mesmo quando não mais houver vida. E a primeira, a que nunca deixou de existir. A única e primeira SACOLA DE PLÁSTICO.”



Uma sacola plástica demora mais de 300 anos para se decompor. Isso significa que aquela sacola que você pegou hoje ainda vai passar pelo seu filho, e pelo filho dele, e pelo filho dele, e pelo filho dele, e pelo filho dele. E é impressionante ver a falta de noção das pessoas em padarias, mercadinhos, lojinhas e outros estabelecimentos. Eles te dão sacola até para guardar chicletes. O que você pode fazer? Não aceitar. Leve na mão (claro, se tu estiver em um supermercado, cheio de compras, não tem como não carregá-las em sacolas). Mas, dentro do possível, recuse.

Por mais besta que isso possa parecer, você estará fazendo a sua parte pelo mundo.

11.2.08

Gosto

gosto de olhar o mar
e contemplar o que não se pode ver
longe de tudo que me faz pensar
que não vale a pena viver

gosto de sentir o ar
correndo livre entre as mãos
fugindo de todos que fazem acreditar
que não existe pro mundo salvação

gosto de sair ao luar
sem ter pra onde ir
andar livre sem pensar
em outra coisa senão me divertir

gosto de ouvir a música tocar
ou escrever uma canção assim:
"o que mais quero é acreditar
que você foi feita para mim"

gosto de simplesmente ser
aquele que te faz pensar
que é muito bom viver
e melhor ainda é amar.

Yellow

Acordei no exato momento em que ela dizia algo a respeito do que sentia por mim. Seus olhos eram de um amarelo profundo, brilhante como uma pepita de ouro, olhando pra mim com desejo. Seu corpo era delineado como uma folha de dicotiledônea, adornado pelo vestido cor-de-uva que deslizava inconsequente sobre a sua pele amanteigada. Um pouco antes, havia pego um barco para atravessar o canal. Minha irmã me esperava do outro lado, segurando minha mochila com o notebook. Chovia e era preciso calma para remar com segurança em direção ao porto. Depois de pegar a mochila, desci rapidamente o canal para não perder mais tempo com aquela maldita chuva. De repente, a chuva parou e algo que julguei ser o sol começou a brilha por detrás das árvores que acompanhavam a linha do canal. Não era. Era apenas ela, com seus olhos amarelos e lindos, que me chamava. Joguei a mochila na àgua e pulei para a margem, deixando que o barco seguisse seu rumo sozinho. Machuquei a perna.
O sangue começou a escorrer e a dor atingiu a parte de trás da minha cabeça, como uma agulha desinibida. Foi quando ela chegou perto de mim, com seu vestido cor-de-uva, e segurou meu queixo enquanto olhava fundo nos meus olhos.

Acordei sem fazer idéia do significado disso. Fiquei um tempo deitado na cama, tentando entender o que havia acontecido. Quem era ela? Onde eu estava? Porque um barco? E a mochila? Sem chegar à nenhuma conclusão plausível, resolvi atirar-me para fora da cama. Foi quando vi a poça de sangue no lençol.

8.2.08

Everybody must get stoned

Ok. Pode parecer que eu larguei de mão o ESTALO (e já recebi e-mails de alguns da meia-dúzia de gatos pingados que costumam passar por aqui), mas a real é que tirei férias. Férias? Sim, férias. Depois de 4 longos anos, uma formatura e uma dezena de empregos, finalmente consegui parar por mais de um feriadão e dar férias para os meus pés, mãos, cabeça, ouvidos etc.

Fiquei nada menos que 17 dias na praia. Durante este tempo, não fiz muita coisa além de dormir, comer e beber na beira da praia, jogar futebol na areia, pegar jacaré, dormir, comer, soltar o corvo, dormir...

A tranquilidade de uma praia pequena e com pouco movimento permite o distanciamento do cotidiano e uma consequente reflexão acerca de tudo que geralmente nos rodeia. Planos, fugas, desejos, frustrações, tudo vem à tona em um turbilhão de pensamentos. A grande vantagem é poder parar e pensar: não quero mais pensar. Agora vou tomar um banho de mar.

Em breve, novas histórias.
Por enquanto, registros do paraíso.



14.12.07

Up the Irons!

Sempre que eu me disponho a fazer uma daquelas listas dos mais-mais, tem uma banda que, de uma forma ou outra, está sempre entre despontando. Seja como banda da vida, melhor vocalista, melhor baixista, melhor disco, blá blá blá. E sem a menor sombra de dúvida, top master na lista dos shows que eu devo assistir antes de morrer. Pois bem, a partir de 6 de março de 2008, eu já poderei entregar uma perna a Deus.



Estou tão emocionado que não consigo escrever muito sobre isso. Mas prometo um relato completo depois do show. Com certeza este show entrará em mais uma das minhas listas: a dos melhores shows da minha vida. Que, por sinal, eu não costumo ordenar por qualidade, mas cronologicamente:

- Skid Row (1992)
- Nirvana, Alice in Chains, Red Hot Chilli Peppers e L7 (Hollywood Rock 1993)
- Acústico Nenhum de Nós (1994)
- Ramones (1994)
- Santana e Tim Maia (1996)
- Fito Paez e Deep Purple (1997)
- Kiss e Metallica (1999)
- Eric Clapton (2001)
- Roger Waters e Rush (2002)
- Misfits, com Marky Ramone (2004)
- Placebo (2005)
- U2 (2006)
- Aerosmith e Velvet Revolver (2007)

E para morrer totalmente feliz e desapegado de maiores desejos materiais, ainda faltariam:

- David Gilmour
- Paul Mccartney
- Foo Fighters
- The Who
- Led Zeppelin
- Bob Dylan
- Supergrass
- AC/DC

Depois de assistir a estes shows, aí sim eu estaria pronto para conferir de perto as performances divinas de Janis Joplin, Jimi Hendrix, Elvis, Jim Morrison, Syd Barret, John Lennon....

7.12.07

A BULA* DA LOUCURA – OU UM NOBRE CAFA DA COROA



Pela história afora, e ela pode ser a sua própria, soubemos de patifes, cafajestes, pusilânimes e outros biltres que conquistaram reconhecimento praticando atos lúbricos ou imorais entre outras filhadaputices que qualquer mulher que tenha sido enganada ou rejeitada listaria aos borbotões sem maiores delongas. A televisão, o cinema e a literatura já apresentaram personagens que marcaram gerações, do Capitão Rodrigo Cambará ao Jorge Tadeu, ou do Gigolô Americano ao Alfie. Assim como o político corrupto, o advogado materialista e o publicitário egocêntrico, o cafajeste está definitivamente inserido em nossas sistemáticas vidas. Se você não é ou não foi, certamente já conheceu o sujeito. E gosta dele. Porque o cafajeste tem bom papo. Te leva no bico. Ele te paga uma ou sete cervejas e aí tu acredita até que ele trabalhou de figurante naquele filme do Walter Pena. Quem? Trabalhou com a Fernanda Torres e com o Francisco Cuoco. Não conhece? Não fez muito sucesso. Na verdade nem saiu em DVD.

Esse é o café-com-leite. Porque é só garganta. Os cafajestes perderam a força com a globalização, o movimento feminista e com o declínio da Igreja. Hoje não passam de charlatães de camisa engomada, metidos a don-juan do século vinte e um. Os verdadeiros cafajestes fizeram história. E um deles bagunçou um bom pedaço da Europa lá pelas fumaças do século dezesseis.

Depois da morte do papai, que “trabalhava” como REI da Inglaterra, assumiu o trono. Isso lá pelos onze anos de idade. Brincava de soldadinho de carne. De brinde, ossos e sangue, muito sangue. Uns tempos depois vem a morrer o irmão, que era casado com uma tal Catarina de Aragão da Espanha e não molhou o biscoito na espanhola. O ainda garoto mas já rei Henrique VIII não perdeu tempo, e depois de convencer o Papa a anular o casório e liberar a moçoila para a algazarra, foi lá e casou com a rapariga e consumou o fato. Foram seis filhos, dos quais só uma sobrou pra contar história, Mary. Cansado de tanta falta de sorte e muito afim de produzir um filho varão, o Henricão foi novamente trocar uma idéia com o Papa e convenceu-o a anular o casamento e nomeá-la Princesa Viúva. E como não era bobo, já tinha a substituta, uma prima de uma concubina com quem ele já tinha.........bom, era concubina. Ana Bolena era o nome da moça e mais uma moça foi o que ela conseguiu tirar do ventre para ofertar ao rei, que lógico, estava muito afim mesmo era de um herdeiro varão.

Na época, divórcios não existiam, a não ser quando existia um ótimo motivo, além de um pouco de poder e riqueza. Mas já tinha outra morena na ênfase. E dessa vez o papo não colou com o papa, que vetou a separação. E se não vai por bem, vai por mal. E de uma hora pra outra a pobre Ana Bolena virou adúltera, acusada de se fresquear com cinco elementos. E pra forca foram todos, um por um, em praça pública. E verdade ou não, o rei se livrou da mulher e juntou as perucas com Jane Seymor (que não é a mina do Em Algum Lugar do Passado). E deu no couro essa, porque logo já pariu o tão esperado sucessos do trono, Eduardo. Feliz da vida, Henrique VIII curtiu muito o filhão e a mulher, eleita por ele como a preferida. Renegou as filhas anteriores, chamou-as de ilegítimas e as rebaixou a LADYS. Muito ruim, muito ruim.

E como o que é bom nunca dura pra sempre, logo pintou outra Catarina na área, o que influenciou em mais um pedala-robinho na realeza. E depois de uma, veio outra Catarina. E todas foram assassinadas. Sem essa de acordar no outro dia, depois de uma noite lúbrica, olhar pra moça e largar um “tu fecha a porta quando sair, beleza?”. Vai pra guilhotina, chinoca!

Nessas alturas, o rei Henrique VIII já tinha quebrado o pau com a Igreja Católica, que não admitia as tentativas de divórcio e nem algumas opiniões meio radicais. Mandou o Papa às favas e criou a Igreja Anglicana, da qual se auto-denominou o ser supremo da instituição na Terra. Não por nada que foi excomungado. E depois de dominar o pensamento promover a verdadeira caça às bruxas e proibir a sodomia,engordou e começou a perder o tesão pela bagunça. Mesmo assim participou de mais algumas peleias e separou e casou mais uma vez. Morreu gordacho e como um dos reis mais tiranos de todos os tempos, com uns dezoito filhos no total (dos quais menos da metade restaram para contar história) e uma incalculável riqueza e poder acumulados. Aqui jaz Rei Henrique VIII da dinastia Tudor: o mais sacana, pervertido e psicopata governante jamais aclamado na Inglaterra.

E se você é, já foi ou conhece(u) um cafajeste, pense nisso: ou você não é de nada ou nunca viu um de verdade. E caso a resposta pra isso seja antagônica, por favor: muita calma nessa hora. Qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência e blá blá blá.


*bula, neste caso, se refere a um documento pontífico ou à apresentação do mesmo.

4.12.07

Rede Nacional de Banalizaçao

Não muitos anos atrás, em um mundo nem tão diferente do que é hoje, a não ser pelo ponto de vista ajustado a um guri pançudinho de 12 anos de idade, a televisão brasileira se resumia a poucos canais abertos e uma tecnologia de tevê a cabo engatinhando. No final dos anos 80, a Xuxa ainda era a musa dos baixinhos, o Didi ainda fazia rir e a lambada chacoalhava esqueletos bem torneados em programas de auditório. As cores eram vivas e os cabelos armados, prontos para entrar em uma dança frenética, embalada pelo ritmo do primeiro presidente eleito pelo voto direto no Brasil, pelo fim da cortina de ferro e pelos jabs de Mike Tyson.

Ayrton Senna se consolidava um herói nacional aos berros do Galvão enquanto Berger deslizava pelo muro. Morria Cazuza. Surgia o Faustão. A tevê refletia ainda um certo pudor residual da época de censuras, corria querendo ser livre mas ainda com aquele frio na barriga, meio sem saber pra onde ir.

Com a puberdade começando a brilhar nos olhos, catálogos da Avon e algumas incursões de nível top-secret às caixas de filmes proibidos na locadora da esquina eram os primeiros indícios de que o universo era maior que a vila do Chaves. A Bandeirantes era o único destino possível em noites de sexta-feira. O apresentador Miéle promovia uma festa nas noites de quinta-feira, com morenas e loiras gostosas e descabeladas, com direito a um strip total no fim do programa (mas a luz sempre apagava antes delas mostrarem o principal).

É claro que havia sempre a possibilidade de furtar uma revista naquela banca perto de casa (depois o pai ou avô iam lá pagar, felizes do interesse do garotão, e junto com o dono da banca dava risada e se lembravam das suas histórias de adolescentes de 20 anos atrás), ou de pagar uma graninha pro irmão mais velho do seu amigo alugar algum VHS. Com o passar do tempo, a Playboy acabava se tornando item obrigatório naquela coleção que ficava sob o colchão, e você mesmo já conseguia passar um migué no assistente novato da locadora, pra alugar um filmezinho.

**



Duas semanas atrás, em um raro momento em que me consigo me encontrar com a tevê antes das onze da noite, me deparei assistindo à novela das nove, e qual não foi minha surpresa ao ver uma paródia moderna do programa do Miéle, digna de uma boa e velha Sexta Sexy. Várias mulheres muito bem apanhadas e agraciadas com o toque divino dançando em roupas generosas em visibilidade, deixando à vista de todo o Brasil ligadinho na tevê muitos e muitos pares de peitos siliconados.

Se não me engano o nome da moça é Alzira, mas o que importa é que a Flávia Alessandra perdeu totalmente o pudor e está mostrando tudo na televisão. Em horário nobre. Em novela que apresenta classificação etária de 12 anos. Não viu? Não tem galho. Bota no Google ou no Youtube que está lá. E a Playboy dela, já viu? Bota no Google então que certamente está lá.

Seria demagogia eu dizer que não aprecio. Mas seria demência total concordar que, junto comigo, crianças de 10 anos ou menos assistem aos mesmos programas em horário nobre. Não muito tempo atrás, crianças não tinham um acesso tão gratuito a este tipo de conteúdo(?). Penso no escritor da novela que precisou apelar desta forma para conseguir um pouco mais de audiência. Penso no diretor que aprovou as cenas, sedento de um pontinhos no Ibope e com medo de perder o emprego. Penso na atriz, que vulgarizou totalmente a sua imagem. Ok, concordo que deve ser bastante complicado mostrar os peitos na novela, mas aí pra encarar isso como arte é muita falta de, no mínimo, critério. Mas como já apareceu na Playboy, todo mundo já conhece, teoricamente, o conteúdo da moça.

A televisão se perdeu final, como diria um amigo meu. Já cansei de passar na rua e ver garotinhas de 7 anos rebolando como a Carla Perez ou Dani Bananinha, usando as roupas da Deborah Secco ou correndo atrás de garotos de 10 anos. Na minha época, crianças de 7 anos brincavam. Hoje em dia elas são consumidoras, em muitos casos ainda mais que eu ou você.

Mas tudo bem, acho que no fundo isso é porque estou ficando velho mesmo.

5.11.07

Zefeu contra a sinaleira

No post de hoje vamos conhecer a história de Zefeu, um barnabé que passou em um concurso para técnico bancário e sonha em ter um mundinho repleto de regalias que seus pais não puderam lhe dar. Zefeu mora em um apartamento alugado de um quarto, com box mas sem área de serviço, na zona norte da cidade. Depois de um ano no banco, comprou um monza 91 e mandou colocar insulfilme bem escuro, para ter mais privacidade e segurança. Dentro de seu carro, Zefeu sentia-se em casa, sozinho e perfeitamente confortável em seus bancos de couro recauchutados. Trabalhava na zona sul, o que significa que precisa atravessar a cidade para ir de sua casa até a agência.

Quando o trânsito está caótico, costuma ligar seu rádio no talo, invariavelmente apelando para cds do Pantera ou Cannibal Corpse. Sim, Zefeu é um metaleiro, selvagem e conformado, em seu monza preto 91. Ensaiava toda terça, depois do trabalho, em um estúdio do centro da cidade, o que significa que uma vez por semana carregava sua guitarra Ibanez com micro-afinação no porta-malas.

Na última terça-feira, assim como todas as outras do ano, Zefeu saiu da agência, que ficava na zona sul, pegou seu monza 91 e sua Ibanez com micro-afinação e foi até o estúdio que ficava no centro para ensaiar. Depois, tomou duas ou oito cervejas com seus parceiros de banda, entre piadas e baforadas de Carlton Azul. Despediu-se dos parceiros de banda, colocou sua Ibanez com micro-afinação no porta-malas e pegou o caminho até a zona norte. Contabilizando, havia gasto quase tudo dos 30 reais que sacara mais cedo. 10 reais foram para colocar gasolina, 7 reais para o estúdio e outros 8 reais para pagar a cerveja. Sobraram míseros cinco mangos e algumas moedas, que acabara deixando com o flanela que ficava em frente ao estúdio.

Com apenas 5 reais no bolso e nenhuma moeda, Zefeu e o monza 91 seguiram pelas vias públicas calmamente, até que pararam em uma sinaleira, perto das onze da noite. Logo que o monza 91 parou, um rapaz franzino e de pés no chão saltou prontamente de trás de um poste, armado com um mini-rodo, que tratou rapidamente de postar, ameacadoramente, contra o pára-brisas.

- Não, hoje não! interviu Zefeu, apressado em fazer o rapaz desistir de limpar seu pára-brisa.

- Ô tio, então me dá um real aí que eu tô com fome e ainda quero tomar uma cachaça hoje.

Abre aqui um pré-âmbulo para analisar a presenta situação: Zefeu não era tio dele. Tampouco dispunha de um real para ajudá-lo a comer e a tomar uma cachaça depois. Além disso, não parecia justo que Zefeu tivesse que trabalhar duro como técnico bancário para sustentar seu monza 91, seu apartamento alugado de um quarto na zona norte, sua guitarra Ibanez com micro-afinação, seus ensaios, seus almoços e jantares a base de massa pré-cozida, seus cigarros e suas duas ou oito cervejas por noite, enquanto aquele franzino garoto não precisava fazer absolutamente nada para ganhar um ou mais reais.

- Cara, não tenho nada hoje. Fica pra próxima.

- Porra, tio. Como é que o senhor me diz que não tem nada? Não acredito que não tenha nenhuma moedinha aí dentro dessa nave. Dá uma procurada aí que tem.

- Cara, eu REALMENTE não tenho nada de moeda. Fica pra próxima, ok?

- Bah tio, que cara-de-pau, hein? Eu tô aqui pedindo na boa, me consegue um real então!!

Zefeu, irritado e devidamente embalado pelas duas ou oito cervejas que acabara de beber com seus parceiros de banda, resolveu argumentar amigavelmente com o franzino.

- PORRA CARA, POR QUE DIABOS TU ACHA QUE EU TENHO OBRIGAÇÃO DE TE DAR UM REAL? TU TÁ AQUI SEM FAZER PORRA NENHUMA, PROVAVELMENTE PASSA OS DIAS SEM FAZER PORRA NENHUMA, NÃO É ALEIJADO E NEM NADA, EU É QUE TE PERGUNTO: COMO É QUE TU NÃO TEM UM EMPREGO, PORRA???

O franzino olhou para Zefeu, puxou uma arma e deu três tiros em sequência. Abriu a porta do monza 91, jogou o corpo de Zefeu para fora e entrou.

26.10.07

Sobra dois por cento

Fui almoçar com alguns amigos hoje. O tempo, quente e abafado, é o teaser de um verão que promete derreter corações (e cérebros, rins, pulmões, pele, ossos etc.). O trânsito, caótico, é uma oportunidade - muito mais barata que yoga - de desenvolver a capacidade de meditação. Motoristas mal-educados e completamente sem-noção costuram o trânsito sem dar sinal, apressados, irritados, despejando seus problemas em uma via pública. O que eu tenho a ver com isso?

Fui almoçar com alguns amigos hoje em um restaurante, no mínimo, peculiar. Já fomos algumas vezes, e até acho que é em razão destas peculiaridades que sempre voltamos. Próximo a 24 de outubro (sim, estamos no dia 26, mas isso não importa), este restaurante vira bar à noite. Lá, cada garçom tem uma função bem definida. Tem o garçom da bebida, tem o garçom da comida, tem o garçom da sobremesa e por aí vai. Achou que é brincadeira? Experimenta pedir uma guaraná pro garçom responsável pelos doces. Primeiro ele te chama de ignorante (rindo, claro, que é pra não perder o freguês). Depois ele te MANDA chamar o outro garçom - o das bebidas, no caso.

Bom, isso tudo meus amigos e eu já sabíamos, até acho que é por isso que sempre voltamos. Mas hoje, além do tempo quente e abafado, do trânsito caótico e palpitante, dos motoristas mal-educados e apressados, surgiu no restaurante uma nova categoria de garçom: o comediante.

Este, o garçom-comediante, não serve nem bebida, nem comida e nem muito menos a sobremesa. Ele simplesmente passa o TEMPO TODO fazendo piadinhas com o pessoal que está almoçando. Piadas que vão do engraçado ao constrangedor sem a menor sombra de cerimônia. Um por um, o garçom-comediante foi atacando com tiradinhas FORA DE SÉRIE. O alvo, invariavelmente, era a amiga de meus amigos que acabara de conhecer, e que, descontraidamente e graças ao seu porte compacto, sentou meio que em posição de flor-de-lotus na cadeira. Transtornado, o garçom-comediante reagiu desta forma:

- A moça tem estilo, tem sim. MAS A RENNER TEM TODOS. AAAAahahahahaha, esses publicitários, né?

Deu, pra mim é isso.

28.8.07

Elevador

Acordei encharcado de suor, em um movimento brusco, tentando agarrar alguma coisa que não fazia parte da realidade em que acabara de entrar novamente. Olhei ao redor, buscando elementos que me acalmassem e logo vi o pôster do Jack Nicholson atrás da porta, com aquela cara insana do Iluminado. Ufa, escapei mais uma vez. O sonho que deixei para trás não fora apenas mais um pesadelo desconexo e claustrofóbico. O mesmo sonho que tenho desde pequeno, com algumas variáveis (pessoas e sentimentos, devidamente atualizadas de acordo com o andamento da minha vida), e eu sempre acordo no mesmo ponto.

É sempre difícil lembrar de detalhes, pois assim que a realidade invade a minha mente, as memórias se esvaem como areia em um dia de vento forte. O elemento invariável do meu sonho é um elevador. Ele muda de formato, às vezes é quadrado, de pouca capacidade, às vezes é grande, com bastante profundidade. Com portas de metal prateado, daquelas que abrem da direita para a esquerda. Invariavelmente faltam botões que deveriam estar ali, naturalmente. Quase sempre me leva para lugares que eu nunca imaginei, onde eu me deparo com coisas surreais, como o inferno, ou com pessoas que há muito já não fazem mais parte da minha vida.

Quando era criança, este elevador me levava quase sempre para um andar intermediário entre o 9º e o 10º andar, seguindo uma lógica meio Hogwarts, antes mesmo de J.K. Rowling pensar em criar o Harry Potter. Um nível inexistente para pessoas normais, acessível apenas ao meu inconsciente. Uma porta para encontrar respostas que não estão em computadores ligados a uma matriz localizada em outra dimensão, muito antes do filme O Décimo Terceiro Andar, do Josef Rusnak.

Muito tempo atrás, o andar 9,5 podia ser acessado por uma pequena porta, pela qual eu me esgueirava com a curiosidade de um garoto pré-adolescente. Por vezes haviam umas diabinhas bem gostosas me esperando, prontas para me proporcionar poluções noturnas. Não me lembro muito bem, mas quase sempre acaba ouvindo coisas que tinham muito a ver com alguma situação que estava vivenciando naquele momento. Recordo que tentava, quase sempre em desespero, apertar o botão no andar em que morava, o sexto, e este nunca estava no seu lugar. Números trocados, outros desaparecidos. Eu sempre acordava dentro do elevador, tentando voltar.

O elevador do meu último sonho era grande, com bastante profundidade, pois pela primeira eu não estava sozinho dentro dele. Lembro-me que estava em uma festa, na qual se fizeram presentes muitos de meus amigos. Não era uma festa minha, pois haviam muitas, muitas pessoas (realmente) estranhas. Um grande salão, com uma enorme porta de entrada, pela qual se podia enxergar a rua. Um grande gramado verde em contraste com um céu escuro, com tonalidades que iam do púrpura até o amarelo claro. Algumas nuvens e nenhum carro estacionado na rua. Muitas pessoas dançando, caminhando. Não lembro da música.

Corta para o elevador. O andar? Vigésimo sétimo. Para baixo. Lá estava eu novamente a caminho do inferno. Porém, para minha surpresa, quando a porta abriu, descemos, eu e meus desconhecidos companheiros de viagem, em outra festa. O ambiente era simplesmente o mesmo, mas as pessoas eram totalmente diferentes. Mais gente conhecida, mais amigos. Me lembro de conversar coisas sem nexos com pessoas das quais eu recordo mas que não mantenho muito contato.

De uma hora para outra, lá estava eu novamente no elevador, indo para andares diferentes, encontrar pessoas de várias fases da minha vida. Parava um pouquinho, conversava um pouquinho, voltava para o elevador. Décimo sétimo, novo, quarto, todos estes andares abaixo do numero 1. Algo como um negativo.

Por fim, me vi deitado no elevador, como se estivesse bêbado. Alguns desconhecidos me faziam companhia, igualmente bêbados e prostrados, sem nada falar ou fazer. De repente vi que seus olhos eram negros, e que seus vultos começavam a ficar igualmente escuros. Um som indecifrável tomou conta do elevador e o desespero começou a tomar conta. A porta começou a ficar mais longe. Olhei para o marcador do elevador, um painel preto com os números em vermelho e percebi que estava voltando ao nível positivo da realidade.

Foi quando acordei, mais uma vez.

24.7.07

Priceless

acordei às 13h50 com a buzina do celular marretando insistentemente minha cabeça, sobre a mesa de luz. ele ainda tocou mais umas 2 ou 8 vezes até que eu conseguisse estender o braço para atender.

acordado, mas nem tanto, decidi dar um jeito na vida. era sábado e tinha ensaio às 16h. depois uma missa de re-casamento às 19h e, logo após, a festa. dia cheio, sem dúvida. mas não eram apenas coisas divertidas que estavam me esperando.

depois de acordar um pouco mais decidi ligar a TV. pra minha surpresa, descobri que havia faltado luz. porra. tinha pouco mais de uma hora pra sair de casa e ainda precisava tomar banho, comer alguma coisa e trocar uma corda. sem luz, resolvi cagar. peguei uma revista de empulhas e anedotas e fui matar tempo no banheiro, esperando que a luz voltasse logo. na verdade não demorou muito, a luz. tratei de me esgueirar para baixo do chuveiro e aproveitar pra tirar o ranço de uísque e cigarro que impregnava cada parte da minha epiderme. depois de umas boas ensaboadas, o que acontece? sim. faltou luz. terminei o banho rapidamente tilintando de frio, pela água gelada e pelos 8 graus que faziam lá fora.

banho tomado e com a rinite já devidamente instaurada, comi e tratei de trocar as cordas. espetei os dedos três vezes e deixei cair o tubo de jimo silicone sobre o sofá. maravilha.

já atrasado, joguei a guitarra no porta-malas, o terno no banco de trás e saí em direção ao ensaio, descendo a lenha no palio fire um-ponto-zero. ainda tinha poucos mais de 20 minutos, tempo suficiente se pudesse contar com a sorte.

mas ela, a sorte, essa eu esqueci de levar junto e peguei simplesmente todos, todos os sinais fechados possíveis no caminho entre a minha casa e o estúdio. não satisfeito resolvi pegar um atalho e me deparei com aquelas mudanças de mão e obras com as quais a prefeitura adora presentear os contribuintes de uma hora para outra. depois de me perder bonito, dei uma puta volta e acabei chegando no ensaio quase meia hora atrasado.

banda fumando crivos na entrada do estúdio quando eu estaciono impaciente o palio fire um-ponto-zero. saio do carro já praguejando contra a falta de sorte. ela, a sorte, que não leva desaforo pra casa, colocou a porta do porta-malas entre minha cabeça e o espaço vazio mal calculado. "bah velho, tu tá azarado mesmo. a gente acredita em ti".

o ensaio foi bom, pelo menos. na saída, chuva. precisava ir até um posto para sacar dinheiro e fui até o mais próximo, lógico. caixa em manutenção. porra. comprei uma carteira de marlboro vermelho com meus últimos três reais e saí em busca de outro posto.

não cheguei atrasado na missa, mas enfiei o pé no barro, adornando a barra da calça com uma tarja marrom-claro. na saída, fui fazer uma gentileza e acabei enfiando o carro no barro. saí, puto da cara, xinguei deus, jesus e todo mundo da celeste família que talvez pudesse me ouvir por estar ao lado de uma igreja e enfiei o outro pé no barro. empurra pra lá, empurra pra cá, tábua embaixo do pneu e finalmente o carro sai do barro.

cheguei na festa, bebi uma garrafa de uísque, 6 latas de cerveja e fumei toda a carteira de marlboro. o pior de tudo é não lembrar de ter dançando BILLIE JEAN como o michael jackson, com mão no saco e tudo, na frente de todos os parentes, amigos e vizinhos do casal de noivos.

mas o pior de tudo mesmo é ainda lembrar de tudo isso e colocar em um post, só pra dar motivo pros teus amigos rirem da tua cara. é, isso não tem preço.



18.7.07

Mas...

- Alô, Leo?

- Sim, sou eu.

- Oi, tudo bem?

- Tudo.

- Beleza então. Olha só, aprovaram a sua campanha. O cliente amou. Dessa vez a gente acertou em cheio o conceito!!!

- Que massa. Vou dar os parabéns pra equipe então.

- Então, temos que fazer algumas alterações para aprovar com o cliente ainda hoje. Vamos trocar a foto, eles não querem aquelas pessoas, querem outras. Normais, viu? O slogan não foi aprovado, eles querem mais opções. De chamadas também. Além disso, temos que apresentar outras opções de cor para o fundo. O brinde eles não vão querer, nem o folder. Mas o cartaz A4 a gente vai produzir. Que legal, né?

- ...

16.7.07

Brasil il il!

ah, que beleza. o Brasil está em festa. é o PAN estampando todas as manchetes, são os esportes mais bizarros na ponta da língua de todo mundo, é um tal de badminton pra cá, nado sincronizado pra lá que dá gosto. todo brasileiro é apaixonado por tudo que é esporte. o ufanismo está em alta e o povo parece anestesiado diante tantas emoções. haaaaaaja coração.

e para abalizar este momento, eis que a seleção brasileira de futebol conquista a Copa América. e logo contra quem: a temida Argentina, que entrou em campo desfilando craques como Riquelme, Messi, Verón, Tevez e por aí vai. temos um, dois, três motivos para comemorar o título. MEDO. ouvi ontem o comentarista da SporTV dizendo que não restam dúvidas sobre o trabalho do Dunga. opa! peralá! muita hora nessa calma. sim, o time foi bem, jogou direitinho, foi bem tática e tecnicamente, mas está na cara de que esse não é o time ideal. por isso, sugiro que esperemos pela continuidade do trabalho. não, não estou rogando praga, apenas sendo cauteloso, talvez cético. mas ainda tem as eliminatórias. vamos ver.

a verdade é que, diante de todo este êxtase esportivo, o brasileiro geralmente fecha os olhos para gritar e para os problemas do país. é este o momento mais perigoso, quando está todo mundo olhando para a TV. enquanto o tupiniquim se delicia com troféus e medalhas, o senado e a câmara continuam lá, destilando corrupção e batendo a carteira do otário que gasta o salário desse mês em cerveja e amendoim.

já vi isso acontecer na copa de 94. a taça vem cheia de morfina e fica todo mundo fora da casa, alheio às coisas que acontecem na cidade plana. todas as atenções se voltam para o pão e circo enquanto os ratos fazem a festa furando ainda mais o queijo verde e amarelo. mas o que importa isso? o Brasil é campeão, é o país-sede dos jogos e o mundo inteiro está de olho nas praias do rio de janeiro. é pura festa, serpentina e chope. mas todo o carnaval tem seu fim. será?

13.7.07

365 dias de rock

sexta-feira 13. dia do rock. um frio da porra que fica um pouco menos insuportável quando o sol tímido dá as caras, mas quase sempre encoberto pelas nuvens cinzas que já se tornaram companheiras fiéis do inverno em porto alegre. dia do rock. com essa garoa cinzenta bem que eu poderia estar em londres, com uma guitarra de 30 libras debaixo do braço indo fazer um som com meus amigos em algum boteco.

dia do rock e são 7h45 quando eu coloco os braços pra fora das cobertas e sinto a atmosfera gélida me impelir a ficar mais alguns 5 ou 40 minutos deitado.
mais tarde, sentado em frente ao computador depois de um dia de trabalho razoável, penso em escrever alguma coisa sobre a importância do rock na minha vida. ponho pra tocar o disco III do led zeppelin e me regozijo em silêncio com immigrant song. tento lembrar do meu primeiro contato com o rock. acho que foi por volta de 1986. eu, com pouco mais de cinco anos na época, não era dono do meu ouvido, estando sujeito ao gosto dos meus pais (e sujeito às conseqüências que más influências musicais poderiam causar anos mais tarde). lembro que era verão, férias da escola, e eu passaria três longos meses na praia, longe da cidade, perto do mar, respirando ar puro. até hoje gosto disso.

a viagem era boa, cerca de seis horas até nossa casa em garopaba. naquele tempo se ouvia fitas K7. e as que meus pais levavam em uma bolsa azul eram pra mim um tesouro a ser descoberto por meus ouvidos tenros e ainda ingênuos. lembro até que às vezes a gente ouvia a mesma fita duas, três vezes, pois não eram muitas (ou eram e meus pais gostavam muito daquelas mesmas que sempre escutavam).


"say, say, say what you want but don't play games with my affection" era o que cantavam paul mccartney e michael jackson, indo e voltando da praia. levei muitos anos para descobrir a música novamente e voltar a escutá-la duas, três vezes por dia. a fita era do paul e eu nem sabia o que era beatles. meu avô, algum tempo depois viria a me presentar com dois discos, o white album e um compacto do yellow submarine.

antes de completar sete anos eu já falava pros meus amigos sobre beatles quando todo mundo só falava de jaspion e comandos em ação.
ganhei uma vitrola que era da minha mãe. ela era marrom e mais parecia uma maleta. quando passeava com ela ou com meu avô pelo centro da cidade, sempre pedia pra ganhar algum disco, mas como não sabia escolher, contei com a sorte e acabei sendo presenteado com vinis de cat stevens, tracy chapman, pink floyd, joni mitchell e mais paul mccartney. assim, fui desenvolvendo meu gosto pela música, ouvindo os pouco mais de dez discos que possuía à exaustão (e possivelmente provocando um grande arrependimento nos meus pais, que escutavam tudo comigo, todos os dias, toda hora, de novo de novo e de novo).

muitos anos mais tarde descobri sons mais pesados, como black sabbath, iron maiden, slade, led zeppelin. tinha doze anos quando me dei conta que já era tarde demais para voltar atrás: estava completamente apaixonado pelo som das guitarras distorcidas, os vocais agudos e rasgados, a bateria alucinada e marcante. e com as aulas de violão, o meu envolvimento com a música só foi crescendo e crescendo. e em uma época em que a grande maioria dos meus colegas escutava eldorado e achava legal ser pagodeiro, eu esperava toda semana pra ouvir arrasa-quarteirão na ipanema, fúria metal na mtv, levava walkman em passeios (para não ser contaminado por molejo, só pra contrariar e outras porcarias do gênero. desculpe-me quem gosta ou se ofendo alguém, mas não existe melhor adjetivo que merda para definir o pagode que estourou na década de 90, e que não tem nada a ver com samba).

o meu primeiro dia do rock foi a distante tarde daquele verão de 86 em que eu ouvi paul mccartney pela primeira na vida e, desde então, todos os meus dias são assim. sabe quando alguém diz "ah, mas é um dia como qualquer outro"? é verdade. o dia do rock é como qualquer outro, pois não há uma variável em minha personalidade que me permita viver, respirar, ouvir, comer de outra forma.


obrigado paul, michael, john, george, robert, david, roger, cat (ou yusuf aslam), tracy, joni e mais uma galera que fez, faz e continua fazendo a trilha sonora da minha vida um sucesso de audiência.


o dia de rock é todo dia. e viva a porra do rock, seus motherfuckers.

10.7.07

fuck off brasil!

“Dear Pandora Visitor,

We are deeply, deeply sorry to say that due to licensing constraints, we can no longer allow access to Pandora for most listeners located outside of the U.S. We will continue to work diligently to realize the vision of a truly global Pandora, but for the time being we are required to restrict its use. We are very sad to have to do this, but there is no other alternative.

We believe that you are in Brazil (your IP address appears to be 200.213.44.244). If you believe we have made a mistake, we apologize and ask that you please contact us at pandora-support@pandora.com

If you are a paid subscriber, please contact us at pandora-support@pandora.com and we will issue a pro-rated refund to the credit card you used to sign up. If you have been using Pandora, we will keep a record of your existing stations and bookmarked artists and songs, so that when we are able to launch in your country, they will be waiting for you.

We will be notifying listeners as licensing agreements are established in individual countries. If you would like to be notified by email when Pandora is available in your country, please enter your email address below. The pace of global licensing is hard to predict, but we have the ultimate goal of being able to offer our service everywhere.

We share your disappointment and greatly appreciate your understanding.”

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Malditos ianques.